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Meu filho não larga o celular: é vício ou apenas uma fase?

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Em meio a uma sociedade conectada, os jovens têm se tornado cada vez mais dependentes dos dispositivos eletrônicos. Confira quando isso se torna um comportamento compulsivo!

 

 

Adolescentes com os olhos vidrados no celular. Essa cena tem sido cada vez mais comum! Afinal, a tecnologia tem ocupado um espaço significativo na rotina deles que, muitas vezes, não conseguem se desligar dos dispositivos. Mas, quando identificar se meu filho está, de fato, viciado? Essa é uma preocupação frequente dos pais. Em meio à sociedade conectada, o uso dos smartphones deve ser observado com cuidado para não se tornar um comportamento compulsivo.

O vício é definido como um uso descontrolado de algo que causa impacto negativo na vida da pessoa. No caso do celular, a psicóloga Cristiane Pertusi, especialista em traumas, destaca que o principal ponto para identificar esse tipo de comportamento obsessivo é avaliar o prejuízo que o eletrônico provoca no dia a dia da criança, como dificuldades sociais, emocionais e acadêmicas.

Mas existe uma quantidade de horas que caracteriza o vício? Responder a essa pergunta não é fácil. A psicóloga Ariádny Abbud, especialista em infância e adolescência, explica que ainda não há um consenso entre os especialistas, mas, alguns deles afirmam que de três a quatro horas por dia já é um sinal de alerta.

Se seu filho fica constantemente no celular, mesmo quando não é necessário ou apropriado, ou se sente ansioso quando está longe do eletrônico, fique atento, pois esses também são sinais de dependência, ou melhor, nomofobia. “Para diferenciar se a criança está apenas passando por uma fase ou se realmente há um vício, é importante observar se ela consegue realizar outras atividades sem entrar em angústia”, afirma Cristiane.

Outros sinais também podem indicar um quadro de vício em eletrônicos, como:

  • Irritação, ansiedade ou desmotivação para qualquer assunto que não envolva tela ou quando o celular não pode ser usado
  • Queda no rendimento escolar
  • Dificuldade para dormir
  • Deixar de fazer esportes ou outros hobbies
  • Mudanças de comportamento com aumento da agressividade e isolamento
  • Dificuldade de se desconectar do aparelho
  • É comum que a criança também evite interações familiares e priorize o celular no lugar de qualquer outra atividade

O que leva uma criança a ficar tão dependente do celular?

Ao passar pelo feed nas redes sociais, ver um story, as pessoas sentem uma sensação de prazer. Isso porque o celular oferece estímulos rápidos e constantes e ativa o sistema de recompensa do cérebro, gerando uma sensação prazerosa instantânea. E as crianças não estão imunes a esse tipo de situação. “Os jogos, vídeos e variedade de conteúdos deixam seu cérebro completamente estimulado com liberação de dopamina e, com o tempo, ela vai ficando dependente daquela interação”, ressalta Ariádny.

A especialista cita que as redes sociais também levam a uma falsa sensação de proximidade das pessoas. Além disso, as crianças podem recorrer ao celular como uma forma de suprir a falta de atenção, tédio ou até mesmo dificuldades emocionais. “Quando o uso do celular se torna a única fonte de diversão ou conforto, o risco de dependência aumenta”, alerta Cristiane.

Crianças de todas as idades podem desenvolver uma dependência do celular, mas as mais vulneráveis costumam ser as menores, uma vez que essas ainda não possuem o controle emocional necessário para lidar com frustrações e mudanças bruscas. “Quanto mais cedo a criança tem contato excessivo com telas, maior o risco de desenvolver dependência e dificuldades de regulação emocional”, afirma Cristiane. Vale lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que as crianças menores de 2 anos não sejam expostas a telas.

Como o uso exagerado do celular pode afetar o comportamento das crianças?

Ficar com os olhos vidrados no celular pode acarretar impactos expressivos para a saúde infantil. Um deles é com relação ao rendimento acadêmico. A criança pode ficar mais desatenta, ter alterações de humor mais frequentes e até mesmo diminuir suas interações sociais. Ela ainda pode desenvolver baixa autoestima diante das frequentes comparações realizadas nas redes sociais.

Qual é o momento certo para procurar ajuda profissional?

Fique atento se o uso do celular está comprometendo o bem-estar geral do seu filho, incluindo desempenho escolar e saúde mental. “Se os pais percebem que não conseguem mais estabelecer limites e que a criança se torna agressiva ou extremamente ansiosa sem o celular, pode ser necessário procurar um profissional, como um psicólogo, para ajudar a entender as causas desse comportamento e criar estratégias para lidar com a situação”, orienta Cristiane.

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